segunda-feira, 13 de outubro de 2008

ESTUDO PREVÊ QUE ELEFANTÍASE SEJA ERRADICADA ATÉ 2020

A filariose linfática pode desfigurar o portador da doença
Uma doença dolorosa, que desfigura o paciente e afeta mais de 100 milhões de pessoas no mundo, a filariose linfática, poderá ser extinta até 2020, segundo especialistas de um projeto patrocinado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
A filariose linfática, mais comumente chamada de elefantíase, é causada por vermes parasitas e causa muito inchaço dos membros, seios e genitais.

Desde 2000, o projeto patrocinado pela OMS já distribuiu 1,9 bilhão de doses de uma cura simples, combinando dois medicamentos doados sem custo pelas farmacêuticas GlaxoSmithKline e Merck and Co.

Estes medicamentos precisam ser ministrados aos pacientes uma vez por ano durante cinco anos para evitar que a doença se espalhe.

Até o momento, o projeto organizado pelo Programa Global de Eliminação da Filariose Linfática conseguiu prevenir a infecção de cerca de 6,6 milhões de crianças e paralisou o avanço da elefantíase em outras 9,5 milhões de pessoas que já sofrem com o problema.

"Estamos a caminho de alcançar nosso objetivo, a eliminação (da doença) até 2020", afirmou Mwele Malecela, presidente do programa.

"Quando fizermos isso, este programa servirá como o principal caso para estudos sobre como ampliar de forma global programas de eliminação de doenças", acrescentou.

O sucesso do programa foi relatado em uma pesquisa na revista Public Library of Science Neglected Tropical Diseases.

Saúde pública

A doença é considerada endêmica em 83 países do mundo e o programa já forneceu tratamentos em 48 deles. Cerca de 570 milhões de pessoas foram atendidas.


Verme parasita causa a filariose linfática, ou elefantíase

Mas o desafio ainda é imenso. Aproximadamente um quinto da população mundial, ou 1,3 bilhão de pessoas, estaria "sob risco" de contrair a doença.

Para o secretário executivo do programa, o professor David Molyneux, da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Liverpool, o sucesso do projeto é "incrível".

"Estamos chegando a centenas de milhões de pessoas, as mais pobres do mundo, e os benefícios adicionais destes medicamentos são realmente importantes", afirmou.

Além de combater a filariose linfática, os medicamentos distribuídos combatem vermes intestinais e já serviram para tratar aproximadamente 100 milhões de crianças e mulheres.

"Creio que, comparado à maioria dos outros programas de saúde pública, este está indo muito bem", avaliou Molyneux.

FONTE: BBC Brasil

BACTÉRIA SOLITÁRIA DÁ PISTA SOBRE A VIDA FORA DA TERRA, DIZ ESTUDO

Bactéria sobrevive sem oxigênio e se reproduz dividindo a si mesma
Cientistas americanos descobriram na África do Sul um minúsculo organismo que vive inteiramente isolado, sem oxigênio e na escuridão total das profundezas da Terra.
Acredita-se que a descoberta da bactéria, descrita na edição desta sexta-feira da revista científica Science, tenha revelado a criatura mais solitária do planeta e forneça pistas sobre como seria possível haver vida em outros planetas.

A bactéria foi batizada de Candidatus desulforudis audaxviator, em referência a uma citação em latim contida no livro Viagem ao Centro da Terra, de Jules Verne. A referência encontrada pelo personagem-herói, um "viajante audaz" (audax viator), termina inspirando-o a empreender a jornada.

A d. audaxviator foi encontrada imersa em água em uma mina de ouro na África do Sul por uma equipe do Laboratório Nacional de Berkeley, da Califórnia (Estados Unidos).

Cientistas dizem que a bactéria é "completamente auto-suficiente" – é composta dos elementos que a circundam, incluindo carbono e nitrogênio, retira energia do hidrogênio e do sulfato e se reproduz dividindo a si mesma.

"Isso é algo que sempre especulamos. Mas encontrar isso aqui na Terra é a confirmação da idéia de que se pode, na verdade, condensar os elementos originais de todo um ecossistema em um único genoma", afirmou um dos pesquisadores, Dylan Chivian.

Primórdios

Os cientistas afirmam que a bactéria compõe 99,9% dos organismos que habitam a falha na qual foi encontrada – ou seja, vive completamente isolada de outras criaturas, em um ambiente quente, escuro e com oxigênio rarefeito.

Chivian diz que a descoberta pode dar pistas sobre como eventuais organismos vivos poderiam sobreviver em planetas que, diferente da Terra, não contêm grande oferta de oxigênio.

"Em seus primórdios, a Terra e outros planetas não possuíam muito oxigênio, e a vida evoluiu para encontrar maneiras de obter energia", afirmou Chivian.

"Se um dia descobrirmos a vida em outros planetas, pode muito bem ocorrer de (os organismos) viverem sem oxigênio, extraindo sua energia de elementos químicos como o sulfato."

FONTE: BBC BRASIL

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

EMERGENTES EMITEM 'MAIS DA METADE' DE CO2, DIZ ESTUDO

Emissões de carbono contabilizaram 10 milhões toneladas em 2007
Os países em desenvolvimento respondem atualmente por mais da metade das emissões de carbono do mundo, segundo um estudo divulgado nesta sexta-feira pelo consórcio Global Carbon Project (GCP).

De acordo com o relatório Carbon Budget and Trends 2007 (Orçamento do carbono e tendências), até 2005 os países ricos eram os responsáveis pela maior parte das emissões de CO2 produzidas pelo homem.

“Hoje, os países em desenvolvimento respondem por 53% do total”, dizem os cientistas.
Segundo o relatório, o maior aumento das emissões veio de países como China e Índia. Em 2006, a China ultrapassou os Estados Unidos e se tornou o maior emissor mundial de carbono. E a Índia poderá se tornar em breve o quarto maior emissor ao passar a frente da Rússia, afirma o relatório do GCP.

O estudo aponta que as emissões de carbono contabilizaram 10 bilhões toneladas em 2007. Sozinha, a queima de combustíveis fósseis respondeu por 8,5 bilhões de toneladas e o restante foi proveniente do uso inadequado da terra, principalmente do desmatamento.
O trabalho, assinado por oito cientistas, também concluiu que as emissões oriundas da queima dos combustíveis fósseis nos últimos sete anos são quatro vezes maiores do que as da década passada.

A devastação das florestas tropicais provocou emissões de 1,5 bilhão de toneladas de carbono no ano passado. América Latina e Ásia responderam por 600 milhões toneladas e a África por 300 milhões.

Degradação

Os números divulgados pelo GCP ainda mostram que as concentrações atmosféricas de dióxido de carbono aumentaram 2,2 partes por milhão (ppm) em 2007, atingindo 383 ppm. Em 2006, o aumento havia sido de 1,8 ppm.

Segundo os cientistas, ao atingir 383 ppm no ano passado, a concentração de CO2 estava 37% acima da que teria sido registrada em 1750, início da Revolução Industrial.
“A concentração atual é a maior nos últimos 650 mil anos e, muito provavelmente, nos últimos 20 milhões de anos”, diz o documento.

O estudo, que será apresentado nesta sexta-feira em conferências simultâneas em Paris e em Washington, ainda concluiu que o índice anual de emissões aumentou desde o início do milênio.
Entre 2000 e 2007, o aumento médio anual das emissões foi de 2,0 ppm. Nos anos 70, este número foi de 1,3 ppm, na década de 80 de 1,6 ppm, e nos anos 90 de 1,5 ppm.
Ainda de acordo com o relatório, as bacias naturais, como oceanos e florestas, tiveram sua capacidade de seqüestrar carbono reduzida em 5% nos últimos 50 anos, uma degradação que, segundo os especialistas “continuará no futuro”.

FONTE: BBC BRASIL

AUSTRALIANOS DEVERIAM COMER MENOS BOI E MAIS CANGURU, DIZ ESTUDO

Australianos deveriam comer menos boi e mais canguru, diz estudo

Os cangurus emitem menos gás metano prejudicial ao ambiente
Um assessor do governo australiano pediu para que a população substitua a carne bovina e de carneiro por derivados do canguru para ajudar a proteger o planeta dos efeitos do aquecimento global.

Em um relatório de 600 páginas encomendado pelo governo australiano, o assessor e economista Ross Garnaut afirma que o gás metano produzido durante a digestão de vacas, cordeiros e porcos é um potente causador do efeito estufa quando lançado na atmosfera.

Os cangurus, ao contrário, praticamente não produzem esse gás, afirma Garnaut.
O relatório prevê ainda uma mudança na pecuária e nos hábitos alimentares do país com a introdução de um novo esquema de vendas de créditos de carbono.

Em seu estudo, Garnaut recomenda ao governo que a indústria agrícola seja incluída no esquema de licenciamento de emissões de carbono que será implementado até 2010.
Isso significaria que os fazendeiros teriam que comprar permissões para emitir gases caso extrapolem os limites recomendados.

Transição

O assessor acredita que os custos altos da criação de ovelhas e gado e a vulnerabilidade desses animais aos efeitos da mudança climática – como a escassez de água – poderiam antecipar uma transição para uma maior criação de carnes de animais que provocam poucas emissões.
Para ele, os cangurus – que possuem um sistema digestivo diferente do gado e do carneiro – podem ser a chave desta mudança.

“Durante muito tempo na história humana da Austrália – cerca de 60 mil anos – o canguru foi a principal fonte de carne. E pode novamente tornar-se importante”, disse Garnaut.
O relatório cita um estudo sobre o potencial dos cangurus em substituir outros animais como fonte de carne e afirma que, até 2020 a criação de gado pode ser reduzida em 7 milhões e a de carneiro em 36 milhões de cabeças.

Isso criaria a oportunidade para que o número de cangurus subisse de 34 milhões para 240 milhões em 12 anos.
Essa quantidade seria mais do que suficiente para substituir a perda na produção de carne de vaca e carneiro, o que também seria mais lucrativo para os fazendeiros, já que os custos das emissões iriam subir.
Apesar de popular em outros países, o consumo de canguru na Austrália – o símbolo nacional do país – ainda é polêmico e a carne do animal é usada amplamente como alimento para animais de estimação.
No entanto, muitos australianos preocupados com a saúde se renderam à carne magra e vermelha do animal.

FONTE: BBC BRASIL

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

VERME PODE AJUDAR A TRATAR ARTRITE REUMATÓIDE

Uma molécula secretada por vermes do tipo nematóide pode ajudar no desenvolvimento de um tratamento mais eficaz para tipos de artrite com inflamação.

Os vermes nematóides são os causadores da elefantíase e segundo os especialistas, a molécula ES-62 já circula no sangue de milhões de pessoas infectadas com o verme nos trópicos. A equipe de cientistas, das universidades de Glasgow e Strathclyde, afirma que doenças auto-imunes, como artrite reumatóide e esclerose múltipla tendem a ser raras em países onde infecções provocadas por vermes são endêmicas.

Eles acreditam que a molécula ES-62 pode ser chave na prevenção dessas doenças e pretendem produzir uma derivativa sintética da substância quepoderia ser usada
para combater artrite reumatóide.

Segundo os especialistas, a presença da molécula ES-62 no organismo não provoca efeitos colaterais e nem inibe a habilidade de as pessoas infectadas lutarem contra outras infecções.
Iain McInnes, um dos pesquisadores envolvidos no projeto, disse que a molécula ES-62 parece agir como um termostato que combatem doenças inflamatórias, o deixando os essenciais mecanismos de defesa intactos para lutar contra outras doenças e câncer.

“Essa propriedade também faz da molécula uma ferramenta única para que cientistas identifiquem como tais doenças inflamatórias ocorrem”.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Amazônia 'guarda 30% do carbono florestal do mundo'

A floresta amazônica é uma reserva de cerca de 80 bilhões de toneladas de carbono – o que equivale a quase um terço do estoque mundial –, segundo um estudo publicado na última edição da revista científica Environmental Research Letters.

As florestas de todo o mundo, de acordo com o levantamento feito pela universidade americana de Wisconsin e das organizações Winrock International e Carbon Conservation, guardam 300 bilhões de toneladas de carbono.
No total das emissões globais de carbono, estima-se que a queima de florestas equivalha a cerca de 20%, e o Brasil, dependendo do estudo, flutua entre a segunda e a quarta posições entre os maiores contribuintes neste quesito. Do total de emissões de CO2 brasileiro, calcula-se que três quartos se devam ao desmatamento.

Ainda segundo o levantamento americano, o segundo país com maior estoque de carbono seria a República Democrática do Congo, com até 36 bilhões de toneladas de carbono, seguido da Indonésia, outro grande contribuinte para as emissões de CO2 provocadas por desmatamento, com até 25 bilhões de toneladas de carbono guardadas em suas florestas.

De acordo com especialistas, as florestas funcionam como grandes reservas de carbono, que é absorvido da atmosfera e é retido pela vegetação e, eventualmente, pela matéria orgânica que se acumula no solo. Com a destruição da floresta, seja por queimadas ou pelo corte da vegetação, esse estoque de carbono acaba liderado na atmosfera e a capacidade de novas absorções se extingue.

Divergências

Uma das polêmicas em torno do debate sobre florestas e reservas de carbono é justamente como medir a quantidade de carbono que elas guardam. Para alguns especialistas, o entendimento científico sobre quanto carbono é retido pelas florestas ainda é baixo.

Para Holly Gibbs, que coordenou o estudo publicado na Environmental Research Letters e é também consultora de Papua Nova Guiné para questões climáticas, o trabalho desenvolvido por ela e por outros cientistas propõe uma nova metodologia de medição.

"A nossa intenção é mostrar que existem formas de se calcular cientificamente os estoques de carbono das florestas, ao contrário do que afirmam alguns detratores", disse Gibbs à BBC Brasil.
O debate tem sido especialmente relevante na conferência da ONU sobre mudanças climáticas que está ocorrendo em Bali, na Indonésia. No encontro, um grupo de 40 países, que forma a Coalizão das Florestas Tropicais (Tropical Rainforest Coalition), criada por Papua Nova Guiné, defende um mecanismo em que as reservas de carbono das florestas de um país possam ser transformadas em crédito e negociadas no mercado internacional.

Para que isso seja possível, é fundamental que exista uma forma confiável e amplamente aceita de medir as reservas de caborno, justamente o que o trabalho coordenado por Gibbs se propõe.
Um dos grandes problemas para a Coalizão das Florestas Tropicais é a posição do Brasil, que é contra a sua proposta. O Brasil defende uma alternativa baseada na criação de um fundo internacional que forneceria recursos aos países que consigam combater o desmatamento. Pela proposta brasileira, as metas e o controle sobre o desmatamento seriam de responsabilidade dos países quem detêm as florestas.

De acordo com Holly Gibbs, a expectativa da Coalizão das Florestas é de que o texto final do encontro em Bali tenha "palavras fortes" sobre o assunto. Mas ela admite que para isso o apoio brasileiro é fundamental. "A idéia precisa do Brasil, já que o país guarda quase um terço do carbono florestal do mundo."

Do lado brasileiro, porém, não há sinais de que os negociadores estão propensos a mudar de posição.


FONTE: BBC Brasil

sábado, 9 de agosto de 2008

LEVANTAMENTO INDICA QUE QUASE 50% DOS PRIMATAS NO MUNDO CORREM PERIGO!!

Um levantamento sobre a situação dos primatas do mundo nos últimos cinco anos indica que quase metade (48%) das espécies desse tipo de animal corre atualmente risco de extinção.
Os dados divulgados pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) – que servem como base para elaborar a “lista vermelha” de espécies ameaçadas da instituição –, indicam a situação é pior na Ásia, onde 71% dos primatas foram classificados como "vulneráveis", "ameaçados" ou "criticamente ameaçados".

A destruição de habitats naturais e, mais recentemente, a caça para o comércio ilegal ou a alimentação explicam a dizimação das espécies, afirmou a IUCN, uma organização que engloba mais de mil governos e ONGs.

"Ao longo dos anos temos expressado nossa preocupação com o desaparecimento dos primatas, mas agora temos dados sólidos que mostram que a situação é muito mais crítica do que havíamos imaginado", disse o presidente do grupo de especialistas em primatas da IUCN e presidente da ONG Conservação Internacional, Russell Mittermeier.

"A destruição das florestas tropicais sempre foi a causa principal, mas agora parece que a caça é uma ameaça séria em algumas áreas, mesmo quando o habitat está intacto", prosseguiu.
"Em muitos lugares, os primatas estão sendo literalmente devorados até a extinção."
Situação “assombrosa”

A avaliação geral sobre as 634 espécies de primatas do planeta foi "assombrosa", na descrição de um porta-voz da própria instituição.
Na Ásia estão os cinco países com maior proporção de espécies ameaçadas de primatas: Camboja (onde 90% das espécies estão ameaçadas), Vietnã (86%), Indonésia (84%), Laos (83%) e China (79%).

Em relação à África, os pesquisadores disseram ter considerado mudar para melhor a avaliação dos gorilas que vivem nas montanhas entre Uganda, Ruanda e a República Democrática do Congo.

Entretanto, a instabilidade política nesses países, que coloca os gorilas literalmente no meio do tiroteio, adiou uma reclassificação de "criticamente ameaçados" para "ameaçados".
Na América do Sul, a IUCN considera que 40% das espécies de primatas estão correndo perigo.

Brasil

O levantamento apontou como um "caso de sucesso" – embora ainda motivo de preocupação – a preservação de micos-leões nas florestas brasileiras.
Na sua “lista vermelha”, a IUCN passou a considerar "ameaçadas" - e não "criticamente ameaçadas", como antes - duas espécies de micos-leões.
Os micos-leões pretos foram uma das espécies reclassificadas, seguindo a mesma trajetória dos micos-leões dourados na lista de 2003.

40% das espécies de primatas na América do Sul estão ameaçadas
De acordo com o relatório, a reclassificação é "resultado de três décadas de esforços de conservação envolvendo inúmeras instituições".

"Os micos-leões selvagens estavam quase extintos, mas eram muito populares nos zoológicos. Havia uma grande população em cativeiro. Por isso, zoológicos ao redor do mundo decidiram unir forças para introduzir um programa de reprodução em cativeiro e reintroduzir os micos-leões no Brasil", explicou Vié.

Apesar do sucesso, a instituição chamou a atenção para a necessidade de proteger as florestas para garantir a sobrevivência dos micos-leões no habitat natural.
"Populações de ambos os animais agora estão bem protegidas, mas ainda são pouco numerosas, gerando uma necessidade urgente de reflorestamento para prover novos habitats para sua sobrevivência no longo prazo", disse o relatório.

A “lista vermelha” completa de espécies ameaçadas, incluindo dados dos primatas e de outros animais, deve ser divulgada no Congresso Mundial da IUCN sobre Conservação, em Barcelona, em outubro.

FONTE: BBC Brasil

quinta-feira, 31 de julho de 2008

AIDS: RELATÓRIO REVELA QUEDA NO NÚMERO DE NOVAS INFECÇÕES NO MUNDO

Um relatório divulgado nesta terça-feira pelo Unaids, o programa da ONU para a Aids, revela que medidas de prevenção conseguiram reduzir o número de novas infecções pelo vírus HIV no mundo.


O documento diz que o número total de novos casos registrados caiu de 3 milhões, em 2001, para 2,7 milhões, em 2007.
Embora a porcentagem de novas pessoas infectadas globalmente tenha caído, o número total de pessoas vivendo com o vírus da Aids subiu para 33 milhões - com uma média de 7,5 mil pessoas sendo infectadas a cada dia.
Em alguns países, como China, Rússia, Moçambique, Alemanha, Grã-Bretanha e Austrália, foi registrada a tendência contrária, com um aumento do número de casos.
Em relação ao Brasil, o relatório diz que, apesar de o país ter cerca de 730 mil pessoas vivendo com o HIV, o que representa mais de 40% das pessoas infectadas na América Latina, a política de garantir acesso a métodos de prevenção e tratamento tem ajudado a manter a epidemia estável no país.

Mulheres e presidiários

O relatório destaca que os níveis de infecção de usuários de drogas injetáveis vêm caindo em algumas cidades do Brasil, e o país é citado como um exemplo de liderança no combate à Aids.
Já a proporção de mulheres infectadas em relação ao número de homens infectados vem aumentando. Segundo o coordenador do Unaids no Brasil, Pedro Chequer, em 2007, a relação é de 1,5 homens para cada mulher infectada. Nos anos 80, a relação era de 28 homens para cada mulher.

O Unaids também destaca a alta incidência de HIV entre presidiários no Brasil e afirma que em uma determinada penitenciária de São Paulo, 6% dos presos homens testados tinham o vírus.
"Níveis de conhecimento sobre o HIV entre presidiários parecem altos, mas o acesso aos serviços de prevenção ao HIV dentro das prisões continua inadequado", diz a Unaids sobre o Brasil em um documento com dados da América Latina.
Pedro Chequer lembra que a prevalência entre presidiários era muito mais alta nos anos 80 e sugere que a dificuldade de uma política de prevenção do HIV mais bem-sucedida dentro das prisões se deve aos problemas enfrentados pelo sistema prisional.
"Nós temos um sistema prisional com problemas no Brasil, o que efetivamente dificulta as ações, não somente em relação à Aids, mas também em relação a outras doenças", diz Chequer.

Esforço combinado

Segundo o Unaids, o relatório mostra que os esforços combinados de governos, sociedades civis e comunidades afetadas podem fazer uma diferença na luta contra a Aids.
Mas "os ganhos em vidas salvas com a prevenção de novas infecções e com tratamentos para pessoas vivendo com o HIV precisam ser sustentados a longo prazo", disse o diretor-executivo do Unaids, Peter Piot.
Um dos fatores que levou à queda no número de infecções seria o maior acesso de mulheres grávidas portadoras do vírus HIV a drogas antiretrovirais, para prevenir a transmissão da mãe para o bebê.
A porcentagem de gestantes que receberam as drogas subiu de 14% para 33% entre 2005 e 2007 e, no mesmo período, o número de novas infecções entre crianças caiu de 410 mil para 370 mil.

África

Um dos destaques do relatório é a evolução da luta contra a doença na África.
Embora tenha havido uma redução no número total de mortes por Aids no mundo (de 2,2 milhões para 2 milhões), a doença continua sendo a principal causa de morte no continente, onde vivem 67% de todos os portadores do vírus HIV do mundo.
Em países como Ruanda e Zimbábue, seriamente afetados pela doença, mudanças de comportamento sexual foram acompanhadas de quedas no número de novas infecções.
O uso de camisinha aumentou entre jovens com múltiplos parceiros, e jovens estão esperando mais tempo para iniciar sua vida sexual.
Isso foi observado em sete dos países mais afetados pela Aids: Burkina Faso, Camarões, Etiópia, Gana, Malaui, Uganda e Zâmbia.
No Camarões, por exemplo, a porcentagem de jovens tendo relações sexuais antes dos 15 anos de idade caiu de 35% para 14%.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

HIV "SOBREVIVE"' A ANTIVIRAIS ESCONDIDO EM CÉLULAS

Uma pesquisa sugere que o vírus HIV pode sobreviver a medicamentos antivirais e permanecer inativo por vários anos, se escondendo em células do corpo.

Pesquisadores do Instituto Karolinska, da Suécia, descobriram níveis baixos de HIV inativo em pacientes soropositivos sete anos depois que estes iniciaram, com sucesso, o tratamento padrão com coquetéis de medicamentos.

Segundo os cientistas, o HIV pode ficar escondido nas células CD4+, que agem no sistema imunológico. Estas células são as mais suscetíveis à infecção antes do início do tratamento.
A pesquisa também sugere que, apesar de as potentes terapias com antivirais conseguirem suprimir a infecção pelo HIV a níveis que quase não podem ser detectados, estes medicamentos não conseguem erradicar o vírus.

Por isso, segundo a pesquisa, os pacientes devem continuar tomando os medicamentos por tempo indeterminado e, qualquer interrupção, pode trazer o risco de reativar a infecção.
A pesquisa foi publicada na revista especializada americana Proceedings of the National Academy of Sciences.

Equipamentos sensíveis

Os pesquisadores do Instituto Karolinska analisaram 40 pacientes infectados com o HIV durante sete anos. Geralmente os médicos não registram níveis de infecção quando o número de partículas de HIV cai para menos de 50 por mililitro de sangue. Mas a equipe de pesquisadores usou equipamentos de alta sensibilidade, que conseguiram medir o nível de infecção abaixo desta marca.

Os pesquisadores descobriram que o vírus ainda estava presente, em níveis baixos, em 77% dos pacientes pesquisados.

E, apesar de os níveis dos vírus permanecerem baixos, estes níveis são altos o bastante para reativar a infecção se o tratamento for interrompido.

"É extremamente importante o desenvolvimento de novos medicamentos para erradicar a infecção por HIV, pois os efeitos colaterais associados com o tratamento longo podem ser fortes", disse Sarah Palmer, uma das pesquisadoras.

Palmer também alertou que, ao interromper o tratamento com os medicamentos, aumenta o risco de desenvolvimento de resistência do HIV, o que pode fazer com que futuros tratamentos sejam menos eficazes.

O risco destes pacientes em tratamento infectarem outras pessoas é baixo, mas também não pode ser descartado, segundo a pesquisa.

sábado, 19 de julho de 2008

Estudo relaciona descrença religiosa a QI alto

Bom pessoal, este é um artigo um tanto polêmico, bom para se discutir. Vale a pena dar uma lida. Abraço a todos!!

Um artigo de pesquisadores europeus,
que será publicado na revista acadêmica
Intelligence em setembro, defende a tese
de que pessoas com QI (Quociente de Inteligência)
mais alto são menos propensas a ter crenças religiosas.

O texto é assinado por Richard Lynn, professor de psicologia da Universidade do Ulster, na Irlanda do Norte, em parceria com Helmuth Nyborg, da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, e John Harvey, sem afiliação universitária. Lynn é autor de outras pesquisas polêmicas, entre elas uma sugerindo que os homens são mais inteligentes do que as mulheres.

A conclusão é baseada na compilação de pesquisas anteriores que mostram uma relação entre QIs altos e baixa religiosidade e em dois estudos originais.

Em um desses estudos, os autores compararam a média de QI com religiosidade entre países.
No outro estudo, eles cruzaram os resultados de jovens americanos em um teste alternativo de habilidade intelectual (fator g) com o grau de religiosidade deles.

Na pesquisa entre países, os pesquisadores analisaram média de QI com o de religiosidade em 137 países. Os dados foram coletados em levantamentos anteriores.

Os autores concluíram que em apenas 23 dos 137 países a porcentagem da população que não acredita em Deus passa dos 20% e que esses países são, na maioria, os que apresentam índices de QI altos.

Exceções

Os pesquisadores dividiram os países em dois grupos.
No primeiro grupo, foram colocados os países cujas médias de QI são mais baixos, variando de 64 a 86 pontos. Nesse grupo, uma média de apenas 1,95% da população não acredita em Deus.
No segundo grupo, onde a média de QI era de 87 a 108, uma média de 16,99% da população não acredita em Deus.

Os autores argumentam que há algumas exceções para a conclusão de que QI alto equivale a altas taxas de ateísmo.

Eles citam, por exemplo, os casos de Cuba (QI de 85 e cerca de 40% de descrentes) e Vietnã (QI de 94 e taxa de ateísmo de 81%), onde há uma porcentagem de pessoas que não acreditam em Deus maior do que a de países com QI médio semelhante.

Uma possível explicação estaria, segundo os autores, no fato de que "esses países são comunistas nos quais houve uma forte propaganda ateísta contra a crença religiosa".

Outra exceção seriam os Estados Unidos, onde a média de QI é considerada alta (98), mas apenas 10,5% dizem não acreditar em Deus, uma taxa bem mais baixa do que a registrada no noroeste e na região central da Europa – onde há altos índices médios de QI e de ateísmo.
Lynn diz que uma explicação para o quadro verificado nos Estados Unidos pode estar no fato de que "há um grande influxo de imigrantes de países católicos, como México, o que ajuda a manter índices altos de religiosidade".

Mas ele reconhece que mesmo grupos que emigraram para os Estados Unidos há muito tempo tendem a ter crenças religiosas fortes e diz que, simplesmente, não consegue explicar a realidade americana.

Generalização

Os autores argumentam que essa relação entre QI e descrença religiosa vem sendo demonstrada em várias pesquisas na Europa e nos Estados Unidos desde a primeira metade do século passado.
Eles citam, também, uma pesquisa de 1998 que mostrou que apenas 7% dos integrantes da Academia Nacional Americana de Ciências acreditavam em Deus, comparados com 90% da população em geral.

Lynn admitiu à BBC Brasil que os resultados apontam para uma "generalização" e que há pessoas com QI alto que têm crenças religiosas fortes.
Segundo ele, há vários fatores, como influência familiar ou pressão social, que influenciam a religiosidade das pessoas.

"Nós temos que diferenciar a situação hoje com outros períodos da história. As pessoas tendem a adotar uma atitude de acordo com a sociedade em que vivem. Hoje em dia, na Grã-Bretanha e em outros países europeus, não há tanta pressão da sociedade para que você acredite em Deus", afirma.

Uma das hipóteses que o estudo levanta para tentar explicar a correlação entre QI e religiosidade é a teoria de que pessoas mais inteligentes são mais propensas a questionar dogmas religiosos "irracionais".

Dúvidas

O professor de psicologia da London School of Economics, Andy Wells, porém, levanta questões sobre a tese.
"A conclusão do professor Lynn é de que um QI alto leva à falta de religiosidade, mas eu acredito que é muito difícil ter certeza disso", afirma.

De acordo com Wells, vários estudos já demonstraram que pessoas com níveis de QI altos tendem a ter níveis de educação mais altos.

"E quanto mais educação as pessoas têm, é mais provável que elas tenham acesso a teorias alternativas de criação do mundo, por exemplo", afirma Wells.

O jornal de psicologia Intelligence, publicado na Grã-Bretanha, traz pesquisas originais, estudos teóricos e críticas de estudos que "contribuam para o entendimento da inteligência". Acadêmicos de universidades de vários países fazem parte da diretoria editorial.

Fonte: BBC Brasil